quarta-feira, 21 de outubro de 2015

# 193 : Taberna Sal Grosso



Imaginem um restaurante pequeno e acolhedor, de paredes brancas, salpicadas por quadros (um dos quais, com uma gargalhada contagiante partilhada pela Amália e pelo Eusébio) e outros apontamentos de cor. Numa parede, há um quadro de ardósia bastante grande, coberto com uma lista prometedora de pratos disponíveis. De um lado, um mesa grande de pedra, levemente resguardada, em torno da qual nos sentamos, para um grande jantar e uma boa conversa. Esse sítio existe, em plena cidade de Lisboa, junto à estação de Santa Apolónia, e dá-se pelo nome de Taberna Sal Grosso.

Ao entrarmos, o staff recebe-nos com um sorriso contagiante, acolhendo-nos como se fossemos velhos conhecidos. O atraso de alguns dos meus amigos não lhes incomoda, servindo-nos com um covert simples, mas irrepreensível, enquanto aguardamos. Para matar a sede, pedimos umas águas e uma garrafa de tinto alentejano. Entre o chegar de toda a gente e os olás iniciais, já a primeira garrafa tinha acabado quando fizémos o primeiro pedido. Da ementa, escolhemos a açorda lisboeta, os pastéis de bacalhau com arroz de tomate, o piano, o pica-pau, as bochechas de porco, as moelas e as chips de batata-doce. Infelizmente, já não haviam as iscas de pato, que tanto me tinham feito sonhar ao longo do dia. Enquanto aguardávamos pelos primeiros pratos, pediram-nos para provarmos uma receita nova de lentilhas com castanhas, que entrará na carta brevemente. Estava tão bom, mas tão bom, fiquei cheia de vontade de lá ir experimentar os pratos de outono. 
De repente, começam a chegar todos os pratos e começa a azáfama na mesa para conseguirmos provar tudo. De um verde maravilhoso, a açorda conquistou logo os meus olhos. Ao provar, o deslumbre foi imediato: leve e extremamente cremosa, a açorda traz uma combinação perfeita dos seus ingredientes. Embora se destaque nitidamente o sabor do alho e coentros, o sabor combinado é bastante suave e reconfortante. Segui para os pastéis, acompanhados pelo melhor arroz de tomate que já comi em Lisboa. Enquanto aguardava pelos últimos pratos, fui petiscando as moelas e o pica-pau, aproveitando para tagarelar um pouco mais. Como não gosto de bochechas de porco (embora tenha ficado rendido ao puré de aipo que as acompanhava), rematei a refeição com o piano, que estava verdadeiramente arrebatador: a carne era tão suave que se desfazia na boca e o molho estava delicioso, que deixou todas as minhas papilas gustativas a implorarem por mais.
Completamente cheia e, acima de tudo, satisfeita, fiquei-me por ali, enquanto aguardava pelas sobremesas. Os mais audazes arriscaram ainda uma segunda volta, repetindo a açorda, as bochechas e provando o frango à Beira. Acabámos a refeição com uma ronda de cafés, adoçados por umas fatias de torta de laranja (deliciosas!) e de pudim. Foi um jantar memorável!!

Em breve tenho de lá voltar, para provar os novos pratos. Há séculos que procurava um restaurante como este!!




<a href="https://www.zomato.com/pt/grande-lisboa/taberna-sal-grosso-santa-apolónia-lisboa" title="View Menu, Reviews, Photos & Information about Taberna Sal Grosso, Santa Apolónia and other Restaurants in Greater Lisbon" target="_blank" ><img alt="Taberna Sal Grosso Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato" src="https://www.zomato.com/logo/8212646/biglink" style="border:none;width:200px;height:146px;padding:0;" /></a>