quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

# 245 : Vi Jesus Cristo descer à terra, Alberto Caeiro


Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

*

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta
sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

*

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

*

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VIII"



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

# 244 : Christmas is loading...


A azáfama do Natal começa bem cedo cá por casa. Embora passe a consoada em casa da minha tia, há que madrugar para comprar os doces, ir buscar os miúdos e enfiar-me na loucura das lojas, para que eles consigam comprar os presentes para os respectivos pais. Há que almoçar com toda a famílias, trocar de roupa, ajudar a preparar o jantar e pôr a mesa mais bonita que já se viu...

E por aí, como andam os preparativos?



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

# 242 : Red Frog


Há uns tempos fui conhecer o Red Frog, um daqueles bares que merecia ser declarado património da civilização. A decoração é exímia, bem ao estilo dos bares dos século passado: à porta fechada, paredes escuras e luz fraca, recheados de poltronas e candeeiros vintage. Os cocktails são fenomenais, autênticas obras-de-arte, pensados ao pormenor. O atendimento é irrepreensível, como, infelizmente, é tão raro encontrar.
Para quem, como eu, adorou o glamour de Boardwalk Empire, ficará rendido ao charme do Red Frog e ao seu ambiente de private club. Não deixem de o visitar!!




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

# 239 : Sugestões para o fim-de-semana


O espírito do Natal está no ar e, com ele, Lisboa é inundada de mercados e feiras, onde poderá encontrar os melhores presentes para oferecer nesta quadra.






E porque nem só de compras vive o Homem (já a Mulher.... ahah), há concertos de Natal para alegrar o fim-de-semana.




Bom fim-de-semana :)



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

# 237 : Gift guide for her... under 10€!




1. Esta capa de óculos da Mango.
2. Este necessaire da Mango.
3. Caixa de chá da Rituals.
4. Caneca da Primark.
5, Lata de chá da Rituals.
6. Este CD de Bossa Nova, à venda na FNAC.
7. Brincos.
8. Esta manta do IKEA.
9. Estes cabides da Zara Home.
10. Esta caneca da Primark,

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

# 236 : Save the date!!


O Natal em Lisboa deste ano está quase  acabar, mas ainda temos mais três concertos para desfrutar. Save the date!!




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

# 235 : Gift guide for him... under 20€!




1. Um ambientador para o carro da Rituals.
2. Este lenço da Mango.
3. Este porta-cartões da Mango.
4. Esta garrafa d'A Loja do Gato Preto
5. Esta capa para o tablet da Mango.
6. Este cinto da Mango.
7. Este chapéu da Zara.
8. Este porta-chaves da Massimo Dutti,
9. Um aftershave da Rituals.
10. Este cachecol da Mango.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

# 232 : Playlist de Natal


1. Nat King Cole - The Christmas Song


2. Diana Krall - Christmas Time Is Here


3. Diana Krall - Let it snow


4. Michael Bublé - White Christmas


5. Celine Dion - So This Is Christmas


6. Britt Nicole- Jingle Bell Rock


7. Frank Sinatra - Santa Claus is coming to town


8. Michael Bublé - Jingle Bells


9. Michael Bublé - Holly Jolly Christmas


10. Harry Potter Soundtrack - Carol of the bells





sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

# 228 : Sugestões para o fim-de-semana


O Natal em Lisboa está de regresso, cheio de concertos mágicos. 






No Cais do Sodré, comemora-se o aniversário do Musicbox. Hoje poderá ouvir Vaarwell, Natasha Kmeto, Acid Arab e DJ Marfoz. Já amanhã, a noite será entregue a Chibazqui, You Can't Win Charlie Brown, Alma Negra e Black,




No CCB, temos a 25ª edição do Stock Market.




No Sábado, a Tinta da China organiza uma Venda de Natal, ideal para quem, como eu, demora livros!! De noite, a Av. Guerra Junqueiro acolhe uma Noite de Stand Up Comedy, com Rúben Branco como Mestre de Cerimónias.






No Domingo, o mercado rural chega ao LX Factory, enchendo-o de produtos orgânicos e biológicos. Domingo torna-se, assim, o dia oficial de ir ao campo, sem nunca sair da cidade. Haverá coisa mais gira para se fazer numa manhã de Domingo?





Bom fim-de-semana :)